28 de março de 2016

O Chamado de Jesus


Livro O Chamado de Jesus

Título: O chamado de Jesus – Encontrando a paz em sua presença

Autor: Sarah Young

Editora: Sextante

Páginas: 141





Minha amiga Marlene havia me presenteado com este livro no ano passado.

Ele é um livro para ser lido diariamente. Para cada dia do ano, há uma pequena mensagem que inspira momentos de reflexão, de comunhão e confiança, e nos lembra que não estamos sós. Veja uma de minhas preferidas:

1º de março – Quando algo na sua vida ou nos seus pensamentos o deixar ansioso, aproxime-se de Mim. Traga-me sua oração e seus pedidos com gratidão, dizendo: “Obrigado, Jesus, por esta oportunidade de confiar ainda mais em ti”. Ainda que as lições de fé que lhe envio estejam envoltas em dificuldades, os benefícios valem a pena. Eu prometi conceder-lhe a paz na medida da sua confiança em Mim. O mundo lhe ensina que a paz é resultado da segurança financeira. Minha paz, contudo, é uma dádiva que independe das circunstâncias. Ainda que você perca todas as coisas, se ganhar Minha paz estará rico. Filipenses 4:6; Isaías 26:3

Às vezes, sinto um cansaço mental e emocional muito grande. Isso aconteceu nos últimos meses. Estava sem vontade de ler o que quer que fosse, apesar de gostar tanto. Era como se minha mente estivesse lotada, pesada, sem condição de processar nada.

Procurei fazer mais atividades manuais, passar algum tempo em silêncio, e decidi ler este estas mensagens com mais dedicação e meditar sobre elas por alguns minutos diariamente.

Percebi então, que estava esgotando minha mente com todas as coisas ‘que não consigo fazer’, que isso só me enfraquecia ainda mais, e que ainda que parecesse não haver nada que pudesse fazer, existiam sim, pequenas ações que eu tinha condições de realizar para me fortalecer.

Após poucos dias, senti a vontade de orar mais. Me senti melhor e voltou o desejo de compartilhar meu aprendizado com você.

Me alegrei de entender como a confiança em Deus, a gratidão e a paz estão intimamente ligadas, e como elas tem o poder de dissipar o medo e a confusão.

Então, quer você leia este livro ou não, se está se sentindo limitado e sem forças para realizar o que quer que seja, lembre de se perguntar “qual a menor coisa que posso fazer por mim mesmo de modo constante até que consiga clareza para dar passos maiores?”

Um abraço, e fique com Deus.

“Pequenas sementinhas podem mudar o mundo inteiro – ou, no mínimo sua visão acerca dele.”

                                                                                                      Linus Mundy

6 de novembro de 2015

O objetivo é liberdade, caramba! Por que estou me aprisionando de novo?


É difícil deixar sair o que se tem dentro, expressar e contribuir com nosso melhor, quando estamos tentando nos encaixar num modelo de perfeição.

Eu, por exemplo, quando entro nessa, me torno – de novo – a pessoa que não quero ser, tensa, zangada, confusa, ansiosa e intolerante. Simplesmente porque, na busca por ser como fulano, fazer como, ou o que beltrano está fazendo, eu me afasto de mim.

Você tem que fazer x número de postagens no mês com x número de palavras.

Você tem que ser constante.

Você tem que fazer desse e desse jeito.

Você tem que… blá, blá, blá…

Desde setembro, quando iniciei o blog, me vi envolta por uma nuvem de obrigação, autocobrança e ansiedade de ser isso ou aquilo e, nos últimos dias senti que me perdi de mim, deixei de me escutar.

Mas caramba Elaine! O objetivo não é se libertar???

Não me entenda mal, é válido saber o que deu certo para aqueles que já trilharam o caminho que queremos percorrer. E igualmente importante, sermos gratos a tais pessoas que tem a generosidade de contarem como fizeram.

Mas nenhuma fórmula, por mais brilhante e garantida que seja, é capaz de gerar resultados, se não for aplicada com o coração.

Bem, pode ser que dê resultados, pode ser que se ganhe muito dinheiro, mas, pelo menos pra mim, isso não necessariamente significa sucesso.

Às vezes, a gente deixa de seguir um grupo, uma forma de pensar, e acha que está se libertando, mas acontece que só mudamos de grupo, deixamos de seguir determinadas regras para seguir outras. E não se trata de serem boas ou más regras. Se trata de que não ouve mudança. Continuamos anão pensar por nós mesmos, continuamos a seguir a boiada, só estamos fazendo isso num grupo novo.

Não estou dizendo que o problema está em fazer parte de um grupo ou seguir regras. O problema está em achar que fazer parte de um grupo ou seguir regras resolve tudo.

Sim, é importante pra mim, manter meu compromisso com você.

Mas é exatamente por isso, que me recuso a vir aqui, ou na sua caixa de e-mail, escrever uma coisa qualquer, para “encher linguiça”, apenas para me manter presente.

Tenho certeza que ela – a sua caixa de e-mail, por exemplo – vive lotada com incontáveis mensagens. E provavelmente, como eu, você joga fora grande parte delas, porque, apesar de ter interesse naqueles assuntos, você não aguenta mais o bombardeio de informação e a insistência de quem não sabe se colocar no lugar do outro.

Tenho ainda mais certeza de que seu tempo é precioso demais. E que você tem outras incontáveis coisas que quer, ou precisa ler.

Esse mundo doido no qual vivemos costuma valorizar demais a quantidade. Eu não sei você, mas EU ESTOU FARTA DE QUANTIDADE! No meu caso, não é uma escolha. Tenho necessidade de me concentrar no que importa. Não só quero, mas preciso de menos coisas e mais qualidade.

Isso não funciona pra mim.

Então – fica combinado?! – se o objetivo é a minha liberdade e a sua, e um relacionamento sincero entre nós, não posso prometer ser tão constante quanto manda o figurino, mas prometo escrever quando realmente tiver o que dizer.

Simplesmente porque nada do que estou fazendo aqui tem sentido se não for assim.

Obrigada a você pela generosidade de me ler e acompanhar.

Ah! E vou adorar saber sua opinião

Um abraço,

Elaine Ferreira

26 de outubro de 2015

Aprendendo a viver


Os meus primeiros vinte anos de vida, vivi na mais profunda cegueira, num mundo fantasioso, tomada por ilusões e medos. Privei-me de mim mesma para ter aprovação do mundo.

Nos vinte anos seguintes aproximadamente, os conflitos começaram a surgir. Minha técnica de viver não estava funcionando, me sentia falsa e infeliz naquilo que era a única maneira de agir que eu conhecia. Vieram as depressões, angústias, frustrações.

Mas felizmente, vieram também as perguntas. Eu sempre quis saber o porquê.
Passei por muitos momentos de raiva de mim mesma, raiva do mundo por não me aprovar, e toda uma vida repleta de inferioridade, medo, vergonha, covardia.

Mas sempre quis descobrir porque. Porque todos pareciam saber viver, independentemente de seus defeitos, e eu não suportava os meus, porque não sabia administrar minha vida.

Agora me sinto iniciando uma nova etapa, uma terceira etapa. Me sinto encerrando um capítulo.

Sinto a primavera chegando.

Ouço as respostas.

O que desejo realmente escrever neste terceiro capítulo?


Elaine Ferreira - em 1 de fevereiro 2011
"Ninguém pode voltar atrás e fazer um novo começo. Mas qualquer um pode recomeçar e fazer um novo fim".

                                                 Chico Xavier

19 de outubro de 2015

Pessoas altamente sensíveis - que benefício pode haver em ser assim?

Um dos assuntos que quero muito falar aqui no blog é sobre pessoas altamente sensíveis (PAS).

A alta sensibilidade é um traço de personalidade estudado, pela pesquisadora e psicóloga Elaine N. Aron, desde o início de 1990. Ela é autora de vários livros e estudos sobre o assunto, entre eles, o livro Use a Sensibilidade a Seu Favor. Ela também desenvolveu uma autoavaliação para ajudar as pessoas a descobrirem se são altamente sensíveis. Se desejar, você pode fazer o teste aqui.

Um estudo realizado na Universidade de Stony Brook (Nova York) sobre o assunto também foi publicado na revista “Brain and Behavior, em 2014.

Seu objetivo era explicar as características do cérebro de uma pessoa com alta sensibilidade e como ele poderia se diferenciar do cérebro das demais pessoas.

Algumas informações do estudo:

. Cerca de 20% da população possui as características básicas que definem uma alta sensibilidade e é comum que essas pessoas passem grande parte de suas vidas sem saber que pertencem a esse grupo.

. As pessoas com alta sensibilidade têm um cérebro emocional dotado de grande empatia. São cérebros totalmente orientados à “sociabilidade” e à união com os demais. Porém, enfrentam um desafio – o resto do mundo não tem a mesma empatia, e elas se veem como diferentes.

. Seus neurônios relacionados à empatia e à capacidade de capturar, processar e interpretar as emoções dos outros tem atividade muito notável e contínua desde a infância.

. A ínsula – estrutura pequena do cérebro, chamada “sede da consciência”, que reúne grande parte dos nossos pensamentos, intuições, sentimentos e percepções – tem maior atividade em comparação com aquelas não caracterizadas com a alta sensibilidade.

. Pessoas altamente sensíveis tem um limite mais baixo a estímulos físicos, como luzes brilhantes, sons altos e cheiros fortes, ativando estruturas cerebrais relacionadas à dor.

Para saber mais detalhes do estudo veja esse artigo do site A Mente é Maravilhosa.

Reuni também, dentre tudo que li até agora, as informações que mais me tocaram:

. Desde a infância percebem aspectos que os adultos não percebem… olhares, expressões, mudanças de tom e de humor… e podem concluir que a vida é difícil por verem o mundo sem terem maturidade para entender as emoções.

. Tendem a ser negativas e são mais propensas à ansiedade e depressão. Sua percepção interna faz com que estejam sempre em estado de alerta.

. São mais afetadas pelas críticas, podendo criar táticas para evitá-las, tentando agradar a todos, criticando a si mesmas primeiro ou evitando totalmente a origem das críticas.

. São afetadas por coisas que não afetam outras pessoas – desordem, luzes, cheiros, barulhos…

. Preferem ambientes mais quietos.

. Ficam facilmente sobrecarregadas com muita atividade.

. Tem dificuldade de tomar decisões por pesarem cada resultado possível.


Não tem medo da solidão

. Tem prazer na solidão porque é quando se conectam consigo mesmas.

. Ao mesmo tempo se sentem profundamente sós desde crianças.

. O fato de terem prazer na solidão não significa que não gostem da companhia das pessoas, apenas que também se sentem felizes sozinhas.

. Preferem fazer exercícios sozinhas (evitam esportes em grupo).

. Às vezes, preferem trabalhar a sós, trabalhar em casa ou serem autônomas porque podem controlar a quantidade de estímulos no ambiente de trabalho. Mas são valiosos trabalhadores e membros de equipe pela natureza analítica e por terem grande consideração pelas ideias dos outros.

São sensíveis à beleza

. São pessoas criativas, gostam de música, leitura e hobbies.

. Encontram grande prazer nos pequenos gestos do dia a dia e tem altíssima capacidade para perceber qualquer traço de beleza.

. Vivem através do coração. Sentem de forma profunda. Tudo é vivenciado com muita intensidade.

São pensativas e empáticas

. Refletem mais sobre as coisas do que as outras pessoas. Mergulham fundo em si mesmas para entender as coisas.

. Tem capacidade de se aprofundar e ter empatia com todas as coisas e pessoas.

. Preocupam-se com que os outros estão sentindo.

. São excelentes ouvintes, sentem a dor do outro e fazem de tudo para que as pessoas se sintam confortáveis.

. Desejam relacionamentos profundos.

. São extremamente bem educadas e altamente conscientes.


Minhas conclusões

Baseado na minha própria experiência e em outros relatos, o que percebo é que há um sofrimento desde a infância em quem é altamente sensível. Ou pelo menos, um incômodo por não sabermos porque parecemos sofrer mais que as outras pessoas. E acho que é fácil entender por que.

. Percebemos desde criança muito mais emoções que não podemos compreender.

. O não conhecimento e entendimento por parte das pessoas faz com que sejamos rotulados de fracos, medrosos, quietos demais, esquisitos, e coisas do tipo. Se suas características são vistas por todos de forma negativa, provavelmente você crescerá sentindo-as como falhas de comportamento.

. O comportamento comum das pessoas, nos parece indiferença, portanto, é mais difícil nos sentirmos amados e aceitos.


Como não se sentir um peixe fora d’água num mundo que endeusa a extroversão, a quantidade de atividades e estímulos?

Como não se culpar, se você é visto como antissocial ou egoísta por gostar –e ter necessidade – de passar algum tempo sozinho?

Como enxergar algum benefício em ser altamente sensível?

A primeira vez que li a respeito da alta sensibilidade, me senti imensamente feliz por haver uma explicação pra tudo que sinto e o modo como funciono.

Mas só agora começo a perceber o quanto esse traço de personalidade está ligado às minhas preferências, comportamentos, anseios quanto ao estilo de vida e a tudo mais na minha vida.

E apesar de toda essa informação, entendo que é difícil ver que benefício pode haver em sermos tão afetados por tudo e por todos ao nosso redor.

Por esse motivo é que quero tanto falar desse assunto – para compreendê-lo e a mim mesma, e para descobrir maneiras de administrar o que recebemos e vivermos melhor.

Acredito de verdade, que não recebemos tais características para sofrer. Isso não faz nenhum sentido pra mim. Faz sentido pra você?

O que percebo de início é que pessoas altamente sensíveis são capazes de identificar problemas antes deles acontecerem. São capazes de adquirir um grande aprendizado de vida e de si mesmas pela percepção que tem de tudo. Se somos facilmente machucados pelos males do mundo, também temos olhos e coração sensíveis para ver sua imensa beleza, num pequeno gesto de bondade, num sorriso, num pôr do sol… Se ficamos cansados e perturbados com a desordem, ruídos e cheiros, também temos ouvidos que ouvem a melodia silenciosa da vida, o canto dos passarinhos, nos alegramos com o cheiro da terra molhada pela chuva… Se precisamos nos retirar para recarregar as energias, também sabemos ouvir com sincera compaixão e oferecer verdadeira amizade e consideração a quem precisar. Somos capacitados a ver beleza onde ninguém mais vê.

Você percebe como uma pessoa com tais características pode ser valiosa pro mundo e pras pessoas ao redor, se se recusar a ser invadida pelo negativismo?

Se pudermos ver a nós mesmos com os olhos de amor que merecemos, nos aceitarmos como somos e respeitarmos nossas necessidades, encontraremos o equilíbrio e a compreensão que desejamos. A beleza pela qual somos tão intimamente tocados, que possamos vê-la, em primeiro lugar, em nós mesmos, no modo como fomos tão delicadamente moldados e em tudo que nos espera para ser realizado, por poder ser realizado apenas por uma alma tão sensível como a nossa.

“Se você nasceu em um mundo onde não se encaixa, é porque nasceu para ajudar a criar um novo mundo”. 

                                                    autor desconhecido


12 de outubro de 2015

Urgência de viver


No último fim de semana tive mais uma crise. Como chamá-la? Eu não sei. É uma necessidade urgente de viver o que meu coração pede. É minha alma inconformada por eu não estar atendendo o seu chamado. E o que ela me pede?

Ela quer ver o mar, pisar na areia, sentir a grama, respirar livremente, tocar as árvores, deitar no chão, se alimentar de vida… ela quer abrir os braços e sair voando para longe daqui, dessas quatro paredes, quer poder dançar, ser livre dos padrões, das futilidades, das mil vozes, da falação barulhenta, da artificialidade da vida urbana, da infelicidade estampada nos rostos, da angústia causada pelo abandono da sua essência.Ela quer se concentrar no que é importante, no que traz vida.


Ela quer se concentrar no que é importante, no que traz vida.

Uma angústia tão grande me tomou! Não é a primeira vez. De modo algum. Mas antes, muitas vezes, era apenas uma ansiedade de fugir. Agora tem se tornado uma necessidade mais intensa e constante.

E fiquei muito irritada por perceber que é isso que acontece: tenho uma crise, fico mal e inconformada, mas como não adianta ficar mal, nos dias seguintes, me conformo de novo.

E chego até pensar que é besteira, ou frescura, ilusão da minha cabeça. Mas eu penso ser ilusão porque nasci mergulhada num sistema que me diz que é essa é a única realidade possível. Uma vida mais livre, mais simples não está presente no mundo que geralmente conhecemos. Minha mente está aprisionada.

Mas, meu Deus, eu não quero ficar olhando a vida por uma tela de televisão ou computador! Eu não quero viver uma vida de mentira, dentro de uma caixa de cimento, trabalhando como uma escrava do relógio, para poder andar emperiquitada – e insatisfeita – porque não posso comprar mais coisas!

Não! Não sou contra comprar coisas. Só acho que as coisas que devem ser compradas são aquelas que vão trazer um benefício real, que vão nos ajudar a desenvolver quem somos. Mas antes que consigamos um mísero dinheiro, já fomos violentamente desviados do caminho do crescimento pessoal, e fomos entorpecidos com inúmeras necessidades irreais, que só contribuirão para nossa infelicidade, porque nos afastam de nossa alma.

Sim, eu sei… libertação real é viver em meio a tudo isso sem se deixar influenciar. Não basta mudar para um mosteiro para se libertar. E pelo menos por isso, me sinto feliz. Porque está acontecendo de dentro para fora. É assim que quero que seja.

Minha irritação é por causa da conformação que acontece repetidamente depois de cada crise.

Não é a amargura que escolho para os meus dias, porém não quero mais me conformar.

Não quero que passe o que estou sentindo, não quero esquecer.

Não são infantilidades, não são ilusões, não são influências alheias.

São meus sentimentos. São minha necessidade.

Não quero me conformar.

Elaine Ferreira – em 5 de junho 2013